domingo, 30 de março de 2008

Liguei a confusão

Assim como quem fecha os olhos, como se colocasse fones nos ouvidos, como se diminuísse a luz. Só respirando. Dá para sentir essas sombras escuras mexendo no meu cabelo e nem bola. Dá para sentir uma correria presente e eu totalmente ausente. Dá para sentir distância, logo aqui, na ponta dos meus dedos, esses dedos que agora só carregam unhas escuras. Dá para sentir saudade, saudade nem sei do quê. Dá para sentir gostinho e dá vontade de cuspir. E tudo que eu preciso cabe no meu abraço, mas não vou abraçar, recolhi os carinhos. E dá para lembrar uma coisa que eu tenho que esquecer e que não é de ninguém, só de mim. Só! E não te conto. E não te deixo pistas. E não pense que lendo entenderás. Estranhas interpretações... Eu já esperava! Ah! Se soubesse o que eu esperava...

(viagem de bebum)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Em noites de gala...

Os dentes-de-leão passam brilhantina no cabelo e se transformam em fogos de artifício.



Verdade!

domingo, 23 de março de 2008

Sobre as armaduras

Ela preparava-se como para uma guerra, construía uma armadura de ferro fedorento e enganava-se como se aquilo servisse de proteção, esquecia de apertar alguns parafusos e sentia que venceria a batalha mascarada com tamanha força protetora.
Foi então que o dia da batalha vestiu-se de hoje sem nem avisar, e a mocinha correu para se vestir de durona. Qual não foi o espanto ao perceber que só nas pernas a armadura já não servia. Agoniada, ela se apertava daqui, se empurrava dali, para dentro de sua engenhoca, protegia tudo que conseguia, até que... Blaaaaammmm! A armadura explodiu. Não cabia o coração embaixo daquele amontoado de dureza.

♪ “É de mágica que eu dobro a vida em flor! E ao senhor de iludir mando avisar, que este daqui tem muito mais amor para dar!”♪

Para quem eu carrego um caminhão de orgulho ;)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Por você, faria isso mil vezes

Acabei de chegar do cinema, olhos vermelhos, fui assistir “O caçador de pipas”, há uns dois anos li essa história, lembrava de muitas falas, o pai de Amir era exatamente como eu tinha imaginado, a cena das pipas no céu no dia do torneio também. Não consegui segurar o choro, quase o tempo todo, nem fiz força para isso, ainda mais quando percebi que o moço que sentou ao meu lado, desconhecido para mim, porém famoso na cidade, também não segurou o pranto, me senti à vontade para desenrolar três metros de papel higiênico e enxugar os óculos. E chorei, chorei muito e de verdade, com momentos de soluço, muito pela história e muito por mim. Chorei de ver que mesmo errando tanto e tropeçando quase um passo sim e outro não, mesmo assim a minha essência não se foi, como diz a minha irmã “o melhor de ti”. Coisa boa me encontrar, acho que pela metade sou muito mais inteira. Que saudade eu tava de mim, e olha que não sou narcisista.

sábado, 15 de março de 2008

Toma ai



Essas bolhas de sabão
Que eu fiz reforçando a porção
De detergente
Quero que elas agüentem
Assoprei na direção da tua casa
É meu carinho com asas

segunda-feira, 10 de março de 2008

Eu tenho um amigo que é feito de açúcar

E em dias de chuva ele faz como os pirulitos, que se vestem com suas gabardines sintéticas e saem colorindo as ruas.
Ele duvida da sua condição, mas eu, por acreditar na sua doçura, faço uma prece para que não fure essa capinha, não quero que se molhe por dentro.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Receita de final feliz

Coloque a discussão em um pote de margarina e leva à geladeira, deixando por, no mínimo, vinte e quatro horas.
Em um pote de sorvete baratex coloque a cabeça, com um pouco de amaciante de carne, deixe no freezer por aproximadamente, hum, bem daí vai da dureza da cabeça de cada um né?!
Espere o amaciante fazer efeito e não saia de casa nesse período, pode ser assustador um corpo sem cabeça andando pela rua.
No dia seguinte junte os ingredientes previamente resfriados, despeje 5 Kg de açúcar no olhar (coragem) e comece a bater...um papo.

♪♫ Conversa de Botas Batidas ♪♫

domingo, 2 de março de 2008