quarta-feira, 9 de abril de 2008

Em tempos de câmera digital, fiquei sem filme na máquina



Eu tenho memória fotográfica. Para mim é fácil memorizar um gráfico, uma fórmula, um desenho. Já com textos sou uma negação, então sublinho as partes importantes com caneta colorida. Usando o método “xerox psicodélico” consigo decorar (no duplo sentido) algumas coisas. O colorido é bonito, me atrai, me aguça, me faz despertar interesse e me faz lembrar.
Em contradição, com pessoas o clic não funciona desse jeito. Observando alguns perfis de orkut, fotolog’s , blá blá blá, vendo tanta gente bonita clicada por si própria e “photoshopada” no escondidinho – acho que vivemos em uma era narcisista – percebi que minha lente não funciona. Em meio a este despautério de beleza cibernética, notei que fechando os olhos sempre faltava um pedaço.
Ops! Como é mesmo aquele olho?
Ai! Sumiu o nariz!
O-ou! Foi-se a boca!
Droga! Não consigo formar uma imagem completa e do jeito que to lembrando o pessoal ta feio pra caramba!
Eu guardo o jeito que tu mexes no cabelo e desajeitas aquele fiozinho da franja. Eu guardo o barulhinho que sai do nariz quando tu respiras fundo gripado. Eu guardo as palavras, aquelas que me dissestes ou as que escrevestes para mim. Eu guardo o cheiro, uma piscadinha. O jeito que tu amarras o sapato, como esfregas os olhos. Eu guardo as três batidinhas nas costas, acompanhadas de um abraço. Eu guardo o calor do moletom emprestado, a sensação de alívio depois do abraço que eu tanto queria, aquele jeito ranzinza de quem se zangou comigo, aquele sorriso de quem voltou a ser meu amigo...
Não adianta, das pessoas eu só sei guardar o jeito, as imagens não.

8 comentários:

Dumuro disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Pelo visto o imbeciloide continua com a intenção de te contaminar, Magda!
Deleta o comentário desse cafageste
e vê se tem um jeito de bloquear seu acesso ao blog.
bjs
Horacio

Anônimo disse...

Oooops, onde se lê "cafageste", leia-se "cafajeste"...
bjs
Horacio

.Kel. disse...

guardar as pessoas é tão difícil quando paramos de conviver com elas... aos poucos vão se tornando fotografias desbotadas... e parece que vão sumindo aos ppuquinhos da mente da gente... gosto de imagem e movimento.. adoro minhas fotos mas amo mais ainda minhas filmagens... são tão reais que parecem até que dá para sentir o cheiro de quem está lá... bjusss esaudades magdinha!!!

Anônimo disse...

Lindo!!!!
Não podia deixar de dizer isso... me fez chorar. Acho que essas são de fato as melhores imagens que se pode guardar.
Te amo
Bjo
Mônica

.Má. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
.Má. disse...

Magdinha, como sempre ler seu blog me faz bem...e parece que faz bem a todos.
Eu, como vc, guardo muito o jeito das pessoas, aind amais porque não enxergo lá muito bem... Sabe que mesmo que eu não enxergue a face de uma pessoa, só pelo jeito de andar eu a reconheço...e pode ser de muito longe!
Eu guardo um pouco a imagem das pessoas, um pouco a forma de falar, um pouco o jeito, e muito o caminhar... E sinto tudo muito vivo... Mas a Kel falou bem às vezes, algumas pessoas começam a se apagar... Mas sou capaz de apostar que elas revivem logo que as revemos... Ai ai... ando um tanto melancólica.

Beijão e um super-upa!
(Eu costumo dizer um abraço fofo...mas adorei seu "upa")

.Kel. disse...

onde tu anda???