quarta-feira, 10 de março de 2010

Não

Não se contabiliza saudade, porque nesse esquema de contrapartidas crédito-débito se eu debitar ela daqui, de dentro de mim, eu vou creditar isso onde?
A única relação que consigo fazer com o sistema contábil é com sua palavra-chave e ser contra partidas, separando a palavra, em contradição ao que a expressão tem de mais interessante, que é unir.
Saudade tem relação estreita com distância, física ou temporal, passa o dia na lembrança e dorme no coração, e pesa, e aperta, dá nó e não tem dó, e mesmo as ciências contábeis, não sendo assim exatas e sim humanas, são só ciências e deixaram aqui, com os humanos, essa saudade que não sabem contabilizar.

3 comentários:

Tita disse...

A Dona Saudade não é mole não, e malvada está sempre por aqui!

Adorei o texto! Como sempre!

Ciao ciao

Kari disse...

Adorei também, como sempre, como tudo o que tu escreves!
"passa o dia na lembrança e dorme no coração" - sim, essa maldita tem lugar cativo nos recantos mais bonitos do nosso ser. Ela tem uma face boa, que é aquela que pode ser matada... Mas ainda assim, é ruim. Ainda assim, é um aperto, é um nó.
Quisera eu que a saudade fosse parte das ciências exatas, para poder achar uma forma de exterminá-la.
Quisera eu que fosse uma lógica invariável: Sentir saudade e matar saudade.
Quisera...

.Kel. disse...

Ai magdinha.. mas te digo que aos poucos aprendemos a conviver com essa danada...

Somamos boas lembranças e subtraímos as tristezas e acaba que nosso balanço até pode sair positivo :)

Saudadonassss cheios de upas virtuais!